segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Bia queria um amor

Bia queria um amor.
            Queria outras coisas também. Viajar, fazer trabalho voluntário, ser um exemplo para outras mulheres, mas, acima de tudo, ela queria um amor.
            Leu livros para não parecer fútil. Clarice Lispector, Virginia Woolf, Tolstói. Malhou, assistiu a diversos noticiários para mostrar que é bem-informada, fez dieta, estudou e publicou fotos diariamente em suas redes sociais. Viu filmes de “diretores que dirigem para pessoas cultas”. Bergman, Antonioni, Godard e Malick. Ouviu Caetano Veloso, Marisa Monte e Chico Buarque. Usou salto alto.
            Mas nada durava mais do que algumas semanas.
            “O que acontece com os homens? Estão com medo das mulheres independentes e inteligentes?”
            Não entendia o motivo para que, mesmo com tanto esforço, ninguém ficava e Bia odiava as justificativas.
            “Vou voltar para a minha ex”.
            “Não quero nada sério, por enquanto, quero focar na minha carreira”.
            “Não é amor, então não vou te iludir”.
            “Ainda gosto de uma garota que conheci quando estava no ensino médio”.
            “Não tenho tempo”.
            “Minha família vai mudar para outro estado”.


quinta-feira, 7 de julho de 2016

Os melhores do primeiro semestre de 2016

O ano de 2016 já está na metade e merece uma seleção do que foi exibido nos cinemas. Separei com cuidado os melhores filmes porque estamos em um momento cinematográfico bacana, com variação de temas para diferentes públicos.


1)      Cinco Graças

A ideia de preservar a virgindade feminina através do poder é bem antiga, mas continua presente nos dias de hoje, mesmo que se mostre de modo bastante discreto. Para diversas jovens a cobrança por uma postura mais madura surge com a primeira menstruação e, com ela, vem os compromissos e a proibição de fazer o que gosta. O triunfo de “Cinco Graças” é mostrar de modo simples e realista a reação de cada uma das irmãs diante de tudo o que está acontecendo com elas. O filme se passa na Turquia, mas representou a França no Oscar 2016.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Nathália

Nathália gostava de Gustavo, que não lhe dava bola. Um dia, ele disse que a garota poderia ter uma chance com ele, contanto que ela trocasse o time de futebol pela equipe de dança, alisasse seus lindos cachos e usasse mais vestidos no lugar do jeans.

        Nathália pensou bem e disse “Desculpe, mas acho que você quer uma boneca, não uma namorada. Eu sou alguém com vontade própria. Passe bem.”


sexta-feira, 22 de abril de 2016

Renata

Renata sonhava em sair de sua cidade e conhecer o mundo, mas só ouvia argumentos para jamais abandonar o lar.
        - E se te tratarem mal?
        - E se você ficar doente
        - E se você se perder?
        Essas coisas chateavam Renata, que passou a guardar seu sonho lá no fundo do peito. Até que, certo dia, saiu para trabalhar, mas se desviou do caminho e foi para a estação de trem.

        Nunca mais voltou para a cidadezinha onde nasceu e viveu até os 40 anos porque passou a colecionar histórias de lugares e pessoas.


segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

A datilógrafa (Populaire)

A qualidade e o charme do cinema francês são indiscutíveis e diversos títulos entraram para a história do cinema mundial, sendo um deles O Artista, que foi o grande vencedor do Oscar em 2012, além de ter sido um dos maiores filmes em outras premiações, como o Globo de Ouro.

        Além de dramas memoráveis, como Ferrugem e osso e o sensível Intocáveis, a França tem se destacado também em um gênero bastante explorado pelo cinema americano, a comédia romântica.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Temple Grandin

Temple Grandin é uma americana que sofre de autismo e que nasceu em uma família que decidiu não permitir que a garota passasse por situações que a inferiorizasse. Assim, ela frequentou diferentes escolas e a universidade, mesmo não acreditando que poderia se dar bem no instituto da graduação.

        Sua história virou um filme e o que poderia ter se tornado um dramalhão com o intuito de arrancar lágrimas dos mais sensíveis, acabou virando um relato maduro e emocionante do caminho percorrido por Temple, com as motivações que ela teve para continuar estudando e também com o que precisou enfrentar para que sua voz fosse escutada com atenção.

domingo, 23 de agosto de 2015

Natasha

Ela tinha planos viajar pelo país vendendo os quadros que pintava, mas a mãe insistia em dizer que o melhor era parar de ficar sonhando alto e ir procurar um emprego. Qualquer um. Atendente de lanchonete, auxiliar de biblioteca, operadora de caixa. Um emprego que a ocupasse por tempo o suficiente para impedi-la de ficar pensando em inutilidades. As palavras machucam, parece que nem todos percebem. Ou percebem e fazem questão de mutilar o próximo.
        Natasha não se deixou abater. Continuou pintando. Sabia que a mãe costumava pintar quando jovem e que parou quando engravidou de um homem casado que se recusou a assumir a paternidade do bebê. Na época, tinha um emprego “convencional”, mas também pintava no tempo livre. Tinha potencial.