segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

A datilógrafa (Populaire)

A qualidade e o charme do cinema francês são indiscutíveis e diversos títulos entraram para a história do cinema mundial, sendo um deles O Artista, que foi o grande vencedor do Oscar em 2012, além de ter sido um dos maiores filmes em outras premiações, como o Globo de Ouro.

        Além de dramas memoráveis, como Ferrugem e osso e o sensível Intocáveis, a França tem se destacado também em um gênero bastante explorado pelo cinema americano, a comédia romântica.


        Como arrasar um coração, Românticos anônimos e Paris-Manhattan são bons exemplos de que é possível conceber um belo filme, que seja ao mesmo tempo descontraído, bem escrito e que não necessite ser apelativo para atrair público. As piadas de cunho sexual ficam de lado e dão espaço para a sensibilidade.

        Foi neste pano de fundo que surgiu, em 2012, A datilógrafa, primeiro longa-metragem dirigido por Régis Roinsard e estrelado pelo veterano Romais Duris, de Albergue espanhol. A história se passa no final da década de 1950 e mostra a bela e jovem Rose (Déborah François, de “A Criança”) tentando dar um novo rumo a sua vida conseguindo o emprego de secretária longe de sua cidade.

        O patrão, Louis (Duris), não demora pra perceber que a garota é um desastre na função, mas consegue enxergar um dom nela, o da datilografia, e convence a funcionária a participar do concurso de datilógrafa mais rápida do país.
  


      Cada competição traz novas emoções e Déborah François equilibra o lado cômico de Rose com a sua força de vontade. Ao lado do personagem gentil (mas que prefere se manter longe de sentimentos) de Durais, vemos uma dupla que consegue prender a atenção utilizando humor leve e algumas particularidades de seus personagens.
  
      Berenice Brejo, de O passado também está no elenco e seu personagem é sério, mas bem encaixado na trama.
   
     O cenário, o figurino e muitos os detalhes são de cores fortes e marcantes. Essa estética lembra em alguns momentos os filmes de Jean-Pierre Jeunet, diretor de O fabuloso destino de Amélie Poulain e Ladrão de sonhos.

      
      O resultado da mistura entre todas essas referências é um filme de sensível, bem roteirizado e divertido. Tudo o que precisamos em alguns dias.


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