segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Bia queria um amor

Bia queria um amor.
            Queria outras coisas também. Viajar, fazer trabalho voluntário, ser um exemplo para outras mulheres, mas, acima de tudo, ela queria um amor.
            Leu livros para não parecer fútil. Clarice Lispector, Virginia Woolf, Tolstói. Malhou, assistiu a diversos noticiários para mostrar que é bem-informada, fez dieta, estudou e publicou fotos diariamente em suas redes sociais. Viu filmes de “diretores que dirigem para pessoas cultas”. Bergman, Antonioni, Godard e Malick. Ouviu Caetano Veloso, Marisa Monte e Chico Buarque. Usou salto alto.
            Mas nada durava mais do que algumas semanas.
            “O que acontece com os homens? Estão com medo das mulheres independentes e inteligentes?”
            Não entendia o motivo para que, mesmo com tanto esforço, ninguém ficava e Bia odiava as justificativas.
            “Vou voltar para a minha ex”.
            “Não quero nada sério, por enquanto, quero focar na minha carreira”.
            “Não é amor, então não vou te iludir”.
            “Ainda gosto de uma garota que conheci quando estava no ensino médio”.
            “Não tenho tempo”.
            “Minha família vai mudar para outro estado”.