Bia queria um amor.
Queria
outras coisas também. Viajar, fazer trabalho voluntário, ser um exemplo para
outras mulheres, mas, acima de tudo, ela queria um amor.
Leu livros
para não parecer fútil. Clarice Lispector, Virginia Woolf, Tolstói. Malhou, assistiu a diversos noticiários
para mostrar que é bem-informada, fez dieta, estudou e publicou fotos
diariamente em suas redes sociais. Viu filmes de “diretores que dirigem para
pessoas cultas”. Bergman, Antonioni, Godard e Malick. Ouviu Caetano Veloso,
Marisa Monte e Chico Buarque. Usou salto alto.
Mas nada
durava mais do que algumas semanas.
“O que
acontece com os homens? Estão com medo das mulheres independentes e
inteligentes?”
Não
entendia o motivo para que, mesmo com tanto esforço, ninguém ficava e Bia odiava
as justificativas.
“Vou voltar
para a minha ex”.
“Não quero
nada sério, por enquanto, quero focar na minha carreira”.
“Não é
amor, então não vou te iludir”.
“Ainda
gosto de uma garota que conheci quando estava no ensino médio”.
“Não tenho
tempo”.
“Minha
família vai mudar para outro estado”.




