Sofia Coppola não é mais uma novata na direção. Conseguiu construir uma carreira sólida e
premiada desvinculada do peso do sobrenome. Logicamente teve algumas regalias
ao crescer no meio de tanta gente ligada ao cinema, mas ter berço não significa
ter talento.
Seu trabalho divide opiniões. Eu mesma considero As
Virgens Suicidas uma memorável estreia como cineasta e seu melhor filme. Tudo
bem, Encontros e Desencontros pode ser considerado maravilhoso e ter o trunfo
de um Oscar de Melhor Roteiro, mas a angústia das irmãs criadas com tanta
repressão e o desespero delas me impressiona.
Coppola leu o artigo “The Suspects Wore Louboutins”,
escrito por Nancy Jo Sales e publicado na revista americana Vanity Fair, e
resolveu fazer um filme sobre a audácia dos jovens que roubaram casas de
celebridades entre 2008 e 2009.
Ela tinha nas mãos o poder de falar abertamente sobre as
futilidades tão valorizadas nos dias de hoje e as prioridades de jovens que
poderiam construir belas carreiras. Tratavam-se de jovens sem opinião política,
que desejavam ter um estilo de vida a base de festas, álcool, drogas e roupas
caras.
Além disso, o caso verídico nos traz a triste realidade,
de que pessoas ricas e famosas chamam mais a atenção dos jovens do que quem se
dispõe a lutar por coisas mais relevantes. Isso não é novidade, mas o fato de
querer ter o nome relacionado com o de pessoas como Paris Hilton (que não é
artista, tem fama unicamente por ser muito rica e por ter sido presa diversas
vezes) e até mesmo ser como ela é preocupante.
Uma cultura construída em cima de reality shows sem grandes propósitos e a fama instantânea
construída com o advento da internet tem formado celebridades sem muita coisa
para passar. Enquanto gerações passadas eram fãs de pessoas como Ronald Reagan,
que foi um ator de Hollywood e depois, presidente dos Estados Unidos, o século
XXI dá valor a pessoas capazes de construir letras de música totalmente sem
sentido e adquirir muita fama em cima disso.
Mesmo Angelina Jolie, atriz do atual cinema americano que
se destaca por vários outros atributos além da aparência, já não chama tanta
atenção dos mais jovens.
O que parece é que estamos num triste período em que o
que há conteúdo não é valorizado e o mais legal é ser vazio e ignorante.
Com seu filme raso e sem impressionar muito, Coppola não
mostra tudo o que poderia ter mostrado. Observar apenas de longe pode funcionar
em outros formatos, mas neste caso foi um grande pecado. Os jovens já sem muito
o que acrescentar são apresentados de maneira ainda mais superficial e para que
a falta de linearidade funcione é preciso saber fazer uso desta ferramenta de
modo que ela cause impacto e isso não acontece em The Bling Ring.
Ao preferir ficar em sua zona de conforto, Coppola abriu
mão do que poderia ser um alerta mundial da propagação da mediocridade. Acabou
fazendo um trabalho medíocre.

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