sexta-feira, 19 de junho de 2015

A dobradinha musical de John Carney

            Em 2006, Carney dirigiu um filme intimista e poético, Apenas uma vez (Once), onde um músico toca pelas ruas de Dublin e conhece uma moça que vende flores. Um descobre o talento musical do outro e passam a escrever canções juntos. Os sentimentos e a bagagem emocional deles ficam evidentes nas letras sensíveis que surgem.


            Longe de ser um musical, o filme utiliza a sensibilidade encontrada nas músicas para nos fazer enxergar os personagens como pessoas comuns. É como se pudéssemos encontrar o músico e a vendedora pelas ruas. Eles têm problemas reais e pendências com o coração e tudo isso nos aproxima ainda mais deles.
            A sintonia entre os atores e músicos Glen Hansard e Markéta Irglová nos faz torcer pelos dois. Nos faz querer entrar no filme e ajustar tudo para que eles fiquem juntinhos e esqueçam os problemas do mundo.
            Como se não fosse o bastante, em 2013 o mesmo diretor lançou Mesmo de nada der certo (Begin Again). Com um elenco mais conhecido (Keira Knightley, Mark Ruffalo e Adam Levine) e músicas compostas por Gregg Alexander, ex-vocalista do New Radicals, o filme nos fisga (assim como seu antecessor) por conta da simplicidade cinematográfica aliada a sensibilidade musical.


           Keira interpreta uma compositora que perde o namorado quando este começa a fazer sucesso na indústria fonográfica. A dor parece reprimir um pouco a moça, mas não impede que um produtor musical repare em seu talento.
            Assim como em Apenas uma vez, a música é essencial na história, mas não é tudo. Eles passam a fazer música juntos, mas em uma experiência não tão reservada como no filme de 2006.
            É bom ver esses atores com nome de peso no cinema americano se renderem a um filme onde podem apresentar personagens mais reais e com problemas comuns. E ainda temos a música como bônus. Imperdível.

            

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