Em 2006,
Carney dirigiu um filme intimista e poético, Apenas uma vez (Once),
onde um músico toca pelas ruas de Dublin e conhece uma moça que vende flores.
Um descobre o talento musical do outro e passam a escrever canções juntos. Os
sentimentos e a bagagem emocional deles ficam evidentes nas letras sensíveis
que surgem.
Longe de
ser um musical, o filme utiliza a sensibilidade encontrada nas músicas para nos
fazer enxergar os personagens como pessoas comuns. É como se pudéssemos
encontrar o músico e a vendedora pelas ruas. Eles têm problemas reais e
pendências com o coração e tudo isso nos aproxima ainda mais deles.
A sintonia
entre os atores e músicos Glen Hansard e Markéta Irglová nos faz torcer pelos
dois. Nos faz querer entrar no filme e ajustar tudo para que eles fiquem
juntinhos e esqueçam os problemas do mundo.
Como se não
fosse o bastante, em 2013 o mesmo diretor lançou Mesmo de nada der certo (Begin
Again). Com um elenco mais conhecido (Keira Knightley, Mark Ruffalo e Adam
Levine) e músicas compostas por Gregg Alexander, ex-vocalista do New Radicals,
o filme nos fisga (assim como seu antecessor) por conta da simplicidade
cinematográfica aliada a sensibilidade musical.
Keira
interpreta uma compositora que perde o namorado quando este começa a fazer
sucesso na indústria fonográfica. A dor parece reprimir um pouco a moça, mas
não impede que um produtor musical repare em seu talento.
Assim como
em Apenas uma vez, a música é
essencial na história, mas não é tudo. Eles passam a fazer música juntos, mas
em uma experiência não tão reservada como no filme de 2006.
É bom ver
esses atores com nome de peso no cinema americano se renderem a um filme onde
podem apresentar personagens mais reais e com problemas comuns. E ainda temos a
música como bônus. Imperdível.


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