quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Identidade

Mamãe diz que eu devia ser professora.
Papai sonha em me ver médica.
Titia acredita que meu futuro está no teatro.
Vovó já deixou claro que só serei feliz se me tornar advogada.
Querem que eu faça uma colcha com os retalhos dos sonhos que um dia foram deles.
E onde ficam os meus?
Nenhum deles está disposto a percorrer os caminhos que preciso para chegar a algo que eles desejam. Isso tudo me confunde.
Vou acabar virando um quadro pintado por desejos alheios. Não terei título, assinatura ou traços da minha personalidade.
Serei um amontoado de pequenas coisas e não serei nada.




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